China avança para assumir a liderança da geopolítica global

China avança para assumir a liderança da geopolítica global

Uma notícia com certo destaque nos últimos dias foi a oficialização da moeda chinesa, o Yuan, como base para as trocas comerciais entre o Brasil e o gigante asiático.

Contudo, o movimento vai muito além de uma simples mudança de padrão cambial e pode marcar o início do fim (ou seria a consolidação?) da notada liderança dos Estados Unidos como o principal player da geopolítica global.

A estratégia de Pequim vem sendo gestada e colocada em prática ao menos desde a década de 1970. O boom ocorreu a partir dos anos 1990 e, a partir dos anos 2010, a maior parte dos analistas apontava para um inevitável protagonismo da República Popular da China no cenário de comércio internacional.

Desde 2016, o país enfim consolidou-se como o maior agente em termos de corrente de comércio. Em 2022, a superpotência liderada por Xi Jinping acumulou uma corrente de comércio de US$ 6,3 trilhões, enquanto os estadunidenses US$ 5,43 trilhões, segundo dados da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Apesar disso, poucos ousaram afirmar que os Estados Unidos pudessem perder a primazia em termos de importância geopolítica dadas às relações consolidadas com todo o Ocidente – da Europa à América do Sul, potências regionais no Oriente Médio e na África e mesmo grandes economias da Ásia.

Mas a China é o principal parceiro comercial de aproximadamente 130 países dos 193 países reconhecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas), ou 67,3% do total. Até mesmo o Brasil tem a China como seu principal parceiro comercial, com especial importância para os produtos agropecuários como soja, carne bovina, suína ou de frango, entre outros.

Do total, a China é o destino de 27,2% dos bens e produtos exportados pelo Brasil, enquanto nosso país recebe da China 22,6% de suas importações, segundo dados do Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Esse quadro repete-se até mesmo em outros tradicionais parceiros comerciais dos Estados Unidos como África e mesmo na Europa, tornando-os cada vez mais governos dependentes ou influenciáveis por Pequim.

A China planejou e conquistou protagonismo até mesmo em plataformas de rede sociais, como TikTok que assusta bigtechs como o Meta, dono do Facebook e do Instragam.

Quer queiram ou não, trata-se de uma ferramenta utilíssima para informar-se e influenciar centenas de milhões de pessoas, sem falar no caso do Google que é proibido ou muito limitado entre os 1,4 bilhões de habitantes chineses.

Rússia e China

Mas o comércio não é a única tática da estratégia chinesa para tornar-se “o país mais influente do mundo”. No aspecto bélico, a aliança com a Rússia é capaz de fazer frente a não só os Estados Unidos isoladamente, como também seus tradicionais aliados europeus como Inglaterra, França e Alemanha.

Finalmente, o conflito entre Rússia e Ucrania desencadeou uma série de eventos que terminou por abrir espaço para uma nova ordem mundial na qual a China tem um papel ainda mais relevante que o dos Ianques.

Para se ter ideia, o caudilho russo Vladimir Putin “consultou” Xi Jinping como preparativo antes mesmo de disparar o primeiro tiro para invadir o vizinho.

Após bloquear a Rússia e seus aliados mais próximos do sistema Swift, que permite as trocas de moedas de forma auditada para comércio de bens e serviços entre países, o mundo ocidental provocou uma nova jogada de Pequim no tabuleiro do xadrez global.

O “movimento final” pode vir justamente com a mudança do câmbio já que, com a maior carteira de parceiros comerciais do mundo, o flanco está aberto para as autoridades chinesas exigirem sua moeda como lastro para os negócios, como já havia sido o ouro, a libra esterlina e, nas últimas décadas, o dólar.

Essa mudança, dependendo do tamanho de sua aceitação e do poder de reação dos Estados Unidos e seus parceiros, poderá definitivamente pender a balança para o lado chinês.

Ter a própria moeda como base para o comércio global é uma enorme vantagem. O país que detém a moeda-referência pode “dosar” juros, emissão de moeda e outras políticas de acordo com seus objetivos de política econômica interna ou externa. Já imaginou?

Se a China efetivar essa posição seria um grande marco histórico, ainda com consequências imprevisíveis, após mais de cerca de um século com os estadunidenses como os mais influentes do mundo.

Fonte: Agrofy News (www.news.agrofy.com.br)

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