Queda dos preços estimula o consumo de carne no Brasil

Queda dos preços estimula o consumo de carne no Brasil

Preferência maior do consumidor ainda é pela carne bovina, mas, como o produto é mais caro, acaba levando a um direcionamento da demanda para o frango e o suíno

Passado o pico da pandemia de Covid-19, a retomada do emprego e a melhora da renda da população elevaram o consumo de carnes no país. E a queda nos preços do boi gordo, do frango e do suíno, a partir de abril deste ano, impulsionou ainda mais a procura por essas proteínas. Uma pesquisa da Horus, empresa de inteligência de mercado que faz captação de dados por meio de notas fiscais, mostra que em janeiro deste ano 1,4 item com carne de frango estava presente nos carrinhos de supermercado do país. Em julho, o número chegava a 1,7. O pico de consumo ocorreu em abril, com a presença de 1,9 item em cada carrinho de compra.

Não coincidentemente, o preço do frango havia caído em abril. Segundo o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/USP), o frango resfriado custava cerca de R$ 6,50 o quilo naquele mês e passou a pouco mais de R$ 7 depois disso. Para o consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra uma baixa de 7,9% no preço do frango inteiro neste ano até julho e de 9,4% para o frango em pedaços. Segundo a Horus, os preços dos itens da carne que constam da cesta de compras caíram de R$ 19,03 em janeiro, para R$ 19 em abril e R$ 16,57 em julho.

A incidência de carne bovina, que era de 1 item por sacola de compras em janeiro, também subiu em abril e manteve-se assim desde então, com 1,3. Segundo o Cepea, os preços do boi gordo caíram no Estado de São Paulo, de mais de R$ 290 a arroba, para menos de R$ 260 em abril. O IPCA mostra uma queda de 7,9% no indicador de carnes em geral, com baixa pronunciada de 11,5% nos preços da alcatra, por exemplo, e de 8,5% no acém. No levantamento da empresa de inteligência de dados, o tíquete médio da carne bovina, que estava em R$ 34,26 em janeiro, passou para R$ 33,83 em abril e para R$ 31,01 em julho.

No caso da carne suína, a incidência passou de 1 para 1,1 na mesma comparação. O indicador oficial de inflação mostrou uma baixa de 3,8% em média nos valores praticados no país entre janeiro e julho. Enquanto isso, o levantamento da Horus mostra um preço médio de R$ 22 para as compras de suínos em janeiro, R$ 25,16 em abril e R$ 22,47 em julho. “Nos anos anteriores, com a pandemia, elevou-se muito o consumo de ovos. Mas com a renda e os preços das proteínas animais mais estáveis, as famílias voltaram a preferir as carnes”, afirmou Ana Carolina Fercher, chefe de percepções e consumo da Horus.

Os preços médios dos ovos subiram 16,6% neste ano, segundo o IPCA, o que também desestimula o consumo. No acompanhamento da consultoria, o valor médio dos ovos levados ao caixa passou de R$ 0,80 em janeiro para R$ 0,97 em abril e tem se mantido assim. A executiva considera que há uma estabilidade nos preços desde meados de 2022, o que proporcionou um leve aumento no consumo. “A gente percebe que as pessoas preferem o boi, mas o preço é um restritivo porque é mais caro e, em muitos momentos, o consumidor então opta pelo frango. Ainda assim, ao analisar o histórico vemos um pico de consumo sempre nos fins do ano, com as festas e churrascos de verão”, observou.

A incidência de carne bovina nas compras fica entre 47% e 48% ao longo do ano, com pequenas quedas quando os preços sobem. Mas entre outubro e fevereiro, passa para 54% das compras. Nesse período, a incidência das aves, que é em média de 54%, passa para 49% ou 50%. A carne suína tem uma incidência entre 13% e 16% ao longo do ano e atinge picos de 20% nas festas de fim de ano, segundo a Horus.

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